Leon Trótski - A ascensão de Hitler e a destruição da esquerda alemã


Embora expulso da URSS, Trótski e a Oposição de Esquerda ainda se consideravam uma facção da Internacional Comunista Até a chegada de Hitler ao poder, eles tentaram influenciar o Comintern e os vermelhos alemães a retornar aos preceitos leninistas de internacionalista e democracia interna.

Eles (ainda) não apoiavam o surgimento de uma Quarta Internacional  Foram esses eventos na Alemanha e o fracasso do Partido Comunista Alemão e da Internacional Comunista que levaram Trótski a convocar uma nova “Quarta” Internacional Comunista. Incluímos um artigo de 1940 sobre a natureza do fascismo que Trótski estava elaborando na época em que foi assassinado por um agente stalinista. O resto desta compilação trata especificamente da ascensão dos nazistas no início da década de 1930.

Na seguinte compilação de cartas e artigos de Trótski, ele está se dirigindo especificamente ao Partido Comunista Alemão, o qual considerava a única organização com possibilidades realistas de deter o fascismo. Seu objeto era que o partido rompesse com a política do Comintern, mas não com o próprio Comintern. Esta série de artigos e ensaios, contudo, demonstra o método de Trótski em seu derradeiro rompimento com o Comintern.

Também incluímos uma cronologia de eventos que se inicia com a ascensão do movimento dos trabalhadores no final da Primeira Guerra Mundial, bem como estatísticas acerca das diversas eleições de que participou o Partido Comunista.

Esta página foi compilada originalmente por “the Zodiac”. Esta página foi reformatada para se adequar ao Trotsky Internet Archive. Diversos artigos adicionais, anteriormente não-transcritos, foram acrescentados por contribuição do diretor e de outros voluntários do TIA.

1918: A revolução na Alemanha perece, devido, em grande parte, ao Partido Social-Democrata (SPD). O SPD filiava-se à antiga Segunda Internacional. Antes da guerra, o partido nunca estivera no poder, apenas na oposição.  Adepto da cooperação de classes, o SPD apoiou a guerra. Trabalhando para evitar uma revolução Vermelha bem sucedida, o SPD se alia a capitalistas e ao exército, cooperando até mesmo com o direitista “Freikorps”, ajudando assim a treinar jovens quadros do futuro Partido Nacional-Socialista (Nazistas).

Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são ambos executados pelo Estado. Bolcheviques russos haviam contado com o sucesso de uma revolução alemã para a sobrevivência de sua própria revolução.

1919: A monarquia alemã entra em colapso e nasce a República de Weimar.  A Constituição de Weimar é um arranjo clássico ao estilo “social-democrata”: aos trabalhadores é concedida uma série de programas de “rede de proteção social”, enquanto os capitalistas (e o exército) conservam poderes integrais, dos quais mais ou menos “prometem” nunca abusar. O primeiro gabinete ministerial de Weimar é chefiado pelo SPD e por seu primeiro-ministro, Philipp Scheidemann, em coalizão com dois partidos capitalistas, o Partido de Centro Católico e o Partido Democrata Alemão. (NOTA: Nas eleições de 1919 para o Reichstag, 45% dos eleitores apoiaram partidos que se classificavam como marxistas.)

1921: Todas as oportunidades de uma revolução haviam se esgotado. A Terceira Internacional (Internacional Comunista, ou Comintern) inicia a sua estratégia de “frente única”, como forma de fortalecer os partidos comunistas em países onde os social-democratas predominavam - como na Alemanha.

1922: O governo alemão é abalado por reparações de guerra que não consegue atender, previstas no Tratado de Versalhes.

Janeiro de 1923: O governo francês envia tropas para ocupar o Ruhr.  A inflação dispara, a classe trabalhadora realiza greves maciças e a classe média tem suas poupanças devastadas. É uma crise extrema e o governo encontra-se impotente. As filiações ao KPD aumentam e crescem novos movimentos ultra-direitistas (como os Nazistas). Mas a liderança do KPD, orientada pelo Comintern, perde a oportunidade.  Em 1924, os acontecimentos se estabilizam (com alguma colaboração norte-americana).

Maio de 1924: Eleições para o Reichstag resultam numa queda dos partidos “marxistas” para 33% do eleitorado; A força dos nazistas cai de forma ainda mais drástica.

Dezembro de 1924: Mais uma rodada de eleições para o Reichstag resulta em aumento do apoio ao SPD e queda do apoio ao KPD.

1925: Eleição presidencial.  O general monarquista Hindenburg é eleito presidente em segundo turno contra Wilhelm Marx, membro do Partido de Centro Católico- este com apoio do SPD e dos partidos capitalistas liberais - e Ernst Thälmann, do KPD.

1925-29: Período de estabilidade da República de Weimar. O SPD permanece como o maior partido da Alemanha com apoio vigoroso da classe trabalhadora. Nenhum plano realista para uma revolução social alemã pode ser construído sem considerar o SPD de maneira sensata.

Em paralelo, na URSS, a “Oposição de Esquerda” é derrotada pelos stalinistas. Em 1927, Trótski é expulso do Partido Comunista Soviético.  Em 1928, ele é deportado para a Sibéria. Em 1929, ele é enviado ao exílio na Turquia. Os expurgos stalinistas vão além dos membros da Oposição de Esquerda. Em 1930, a Internacional Comunista e os partidos filiados são apenas extensões burocráticas da política externa soviética.   Os líderes do KPD são indicados do Kremlin.

Maio de 1928: Eleições para o Reichstag levam ao retorno do SPD para o governo com o primeiro-ministro Hermann Müller. O KPD recebe um terço dos votos do SPD (os Nazistas recebem menos de um décimo). Essa liderança do SPD está mais à direita que antes e opta por algo chamado a Grande Coalizão - incluindo o Partido Popular - e detém o poder por cerca de dois anos.

Enquanto isso, o Comintern adota a doutrina de extrema esquerda do Terceiro Período e algo denominado fascismo social. Segundo essa doutrina, o colapso dos países capitalistas do mundo estaria seguindo um padrão adequado:

O Primeiro Período (1917-1924): Crise capitalista e levante revolucionário;

O Segundo Período (1925-1928): Estabilidade capitalista;

O Terceiro Período (analisado agora): Retorno das crises do capitalismo e proletariado pronto a se insurgir novamente.

O Comintern conclui que é o momento de acabar com a colaboração de Segundo Período com os Social-Democratas (e com sua poderosa base na classe trabalhadora). No caso da Alemanha, isso significa que esses trabalhadores do SPD são na verdade apenas “fascistas sociais”, uma espécie de esquerda do fascismo.

Outono de 1929: Grande Depressão, sentença de morte da República de Weimar. O desemprego atinge 3 milhões de pessoas na Alemanha.  A já frágil economia alemã entra em colapso. A população se radicaliza. As filiações ao KPD aumentam em detrimento do afastamento de trabalhadores dos sindicados liderados pelo SPD. Os fascistas igualmente crescem, desta vez atraindo até mesmo o apoio financeiro dos grandes capitalistas.  E as tropas de assalto paramilitares (Sturm-Abteilung, ou S.A.) chegam a 100.000 membros no fim do ano.

Março de 1930: o gabinete do primeiro-ministro Müller (SPD) renuncia.  A República de Weimar jamais terá outro governo majoritário.  O Presidente Hindenburg indica Heinrich Brüning, do Partido de Centro, como primeiro-ministro.   Brüning tenta estabelecer um governo mais à direita, mas não obtém apoio suficiente no Reichstag.

Brüning cita o Parágrafo 48 da Constituição de Weimar e reivindica governar por “decreto emergencial.” Os Social-Democratas ajudaram a elaborar esse parágrafo, sem nunca imaginar que um dia seriam o alvo.

Julho de 1930: Os decretos emergenciais de Brüning sobre orçamento são derrubados por deputados do SPD, do KPD e do partido nazista. Hindenburg dissolve o Reichstag e convoca novas eleições.

14 de Setembro de 1930: Dia da eleição. O SPD tem queda de 6% na votação, enquanto o KPD tem aumento de 40%. No entanto, a participação conjunta de ambos no eleitorado cai de 40,4% para 37,6%. A mudança real é a votação do partido nazista - alta de 700%. Os Nazistas passam de e nono a segundo maior partido. Paralelamente, o KPD subordinado ao Comintern qualifica o resultado como uma vitória para os comunistas e o “início do fim” para os nazistas. O Comintern concorda.

A opinião de Trótski era ligeiramente diferente. Parafraseando-o, o KPD é como um cantor que canta canções de casamento em funerais e canções de funeral em casamentos... E é massacrado em todas as ocasiões.

OBRAS DE TRÓTSKI SOBRE ESSE PERÍODO:

26 de setembro de 1930: A Viragem da Internacional Comunista e a Situação na Alemanha

14 de abril de 1931: Thälmann e a “Revolução Popular” (Thälmann and the People’s Revolution)

20 de agosto de 1931: O Controle Operário da Produção (Woorker’s Control of Production)

12 de setembro de 1931: Conselhos de Fábrica e o Controle Operário da Produção (Factory Councils and Worker’s Control of Production)

18 de outubro de 1930: Abalado pelo triunfo eleitoral dos nazistas, o SPD decide apoiar o governo de Brüning. Com o apoio do SPD, Brüning permanece como primeiro-ministro por 26 meses. É um governo impopular que beneficia somente os Nazistas. O apoio de grandes empresas a Hitler cresce continuamente. As SA se encorajam a atacar radicais da classe trabalhadora.

Obstruídos pelo bloco SPD-Brüning, os Nazistas concentram-se em ganhar o controle do Landtag da Prússia (legislativo estadual). A Prússia é o maior estado da Alemanha, com mais de dois terços da população. É um bastião Social-Democrata. Os Nazistas, nacionalistas de direita e os Stahlhelm (uma organização contra-revolucionária de veteranos), invocam uma cláusula da Constituição de Weimar para convocar um plebiscito para destituir a coalizão do SPD do governo prussiano.  O KPD se opõe ao plebiscito.

1931: Mais de 4 milhões de desempregados.

21 de julho de 1931: Os líderes do KPD apresentam um ultimato aos líderes da coalizão do SPD na Prússia: ou formam uma frente única conosco ou apoiaremos os Nazistas. O SPD rejeita. O KPD dá apoio aos Nazistas, apesar do fato de que isso poderia colocá-los no poder - embora agora o KPD chame a medida de “Plebiscito Vermelho”. Os Nazistas e os comunistas alemães fazem campanha juntos para remover o governo da Prússia, liderado pelo SPD.

9 de agosto de 1931: O plebiscito prussiano malogra. O SPD retém o controle.

Setembro de 1931: Os líderes do SPD expulsam os deputados federais Max Seydewitz e Kurt Rosenfeld por se oporem abertamente ao apoio do SPD ao regime de Brüning. Os deputados expulsos apoiam uma frente única contra os fascistas.

Outubro de 1931: Mais expulsões/renúncias no SPD. O SPD racha. Os Social-Democratas à esquerda unem a juventude do SPD, pacifistas e alguns dos brandlerianos do Partido Comunista - Oposição (KPO) para formar o Partido Socialista Operário (SAP). Seis líderes do SAP são deputados federais.

Trótski tem uma atitude positiva com relação ao novo grupo, esperando que seus membros superem o centrismo do SPD.  Mas o SAP é um corpo confuso, sem impacto real na política para a classe trabalhadora. (Nas eleições de julho de 1932, o SAP tem apenas 72.630 votos e perde todos os seis assentos no Reichstag. Nas eleições de novembro de 1932, sua votação cai ainda mais. A base do SPD não pode ser descolada de maneira tão fácil. Então, em vez de destruir o SPD numa época de crise, o correto seria trabalhar para salvá-lo.)

Dezembro de 1931: Os líderes do SPD criam a Frente de Ferro de Resistência contra o Fascismo. A organização busca engajar o antigo Reichsbanner, a juventude do SPD e grupos trabalhistas e liberais. O SPD se mobiliza com a Frente de Ferro, promove manifestações de massa, combate os fascistas nas ruas e se arma. Foi mais do que os líderes do SPD queriam. Mas os trabalhadores do SPD não se importam e se tornam ainda mais revolucionários. Nesse momento, o KPD não tem concepção ideológica de uma frente única— mas eles acabam de apoiar os Nazistas no “Plebiscito Vermelho”.

OBRAS DE TRÓTSKI SOBRE ESSE PERÍODO:

25 de agosto de 1931:  Contra o Nacional-Comunismo  (As Lições do “Plebiscito Vermelho”)

26 de novembro 1931: Está na Alemanha a Chave da Situação Mundial

8 de dezembro de 1931: Por Uma Frente Única dos Trabalhadores contra o Fascismo (For a Workers’ United Front Against Fascis)

27 de janeiro de 1932: A Revolução Alemã e a Burocracia Estalinista (Problemas Vitais do Proletariado Alemão)

1932: A crise economia se aprofunda.  Desempregados: 5 milhões. O desmonte do Estado “Social-Democrático” continua.

13 de março de 1932: Eleição presidencial. Três principais candidatos: Hindenburg, Hitler e Thälmann Mas os nacionalistas também apoiam o líder do Stahlhelm, Theodor Düsterberg - que apenas rouba votos de Hitler. Na última eleição presidencial, o SPD fez oposição a Hindenburg. Agora eles o apoiam contra Hitler. A Frente de Ferro se torna a máquina eleitoral dos militaristas monarquistas.

10 de abril de 1932: Segundo turno das eleições presidenciais é realizado, já que não foi estabelecida uma maioria clara.  Düsterberg desiste para que os nacionalistas façam campanha para Hitler. Hindenburg vence, mas a votação dos nazistas dobra em 17 meses.  Contudo, o SPD comemora a eleição de Hindenburg como um triunfo sobre o fascismo.

14 de abril de 1932: Brüning consegue que Hindenburg assine um decreto para colocar as SA e SS nazistas na ilegalidade. Brüning acredita que isso pode frear o crescimento de Hitler. Em vez disso,  a medida acaba causando a queda de Brüning.

31 de maio de 1932: Hindenburg exige a renúncia do primeiro-ministro Brüning.  Hindenburg escolhe Franz von Papen do Centro como novo primeiro-ministro.  O Centro expulsa von Papen dos quadros do partido. Ele é basicamente um títere de Hindenburg, sem qualquer apoio no Reichstag.

4 de junho de 1932: Von Papen dissolve o Reichstag e convoca novas eleições.

15 de junho de 1932: Papen revoga a proibição das milícias nazistas. A medida resulta numa onda de violência.  Centenas de mortos/feridos. Papen proíbe desfiles políticos na quinzena anterior às eleições de 31 de julho.

17 de julho de 1932: Os Nazistas marcham, sob escolta policial, em uma zona operária de Hamburgo. Resultado: 19 mortos, 285 feridos.

20 de julho de 1932: Citando a batalha de Hamburgo, von Papen afirma que o governo prussiano não consegue manter a “lei e a ordem”. Ele depõe Social-Democratas e nomeia a si próprio Comissário do Reich para a Prússia.

O SPD havia jurado defender a república contra qualquer golpe de Estado, de direita ou de esquerda. Os trabalhadores alemães aguardam uma convocação para agir. O SPD promete recorrer do golpe de von Papen nos tribunais. Nada mais acontece.

O KPD convoca uma greve geral. Evidentemente, o grande “Plebiscito Vermelho” do KPD é usado para ridicularizá-lo.

31 de julho de 1932: Eleições para o Reichstag. Os Nazistas passam a ser o maior partido alemão.

12 de setembro de 1932: O novo Reichstag se reúne. Von Papen acredita que pode manipular os Nazistas, mas eles percebem que não precisam dele. Os Nazistas apoiam a moção de censura no Reichstag contra o regime de von Papen imposto por Hindenburg (513 a favor, 32 contra). O Reichstag é dissolvido e novas eleições são convocadas para 6 de novembro.

OBRAS DE TRÓTSKI SOBRE ESSE PERÍODO:

12 de maio de 1932: Entrevista para o Montag Morgen (Interview with Montag Morgen)

14 de setembro de 1932: O Único Caminho (The Only Road)

30 de outubro de 1932: O Bonapartismo Alemão (German Bonapartism)

6 de novembro de 1932: A eleição para o Reichstag.  Adeptos do partido nazista começam a se cansar das manobras políticas de Hitler para ganhar poder de forma cuidadosa.  Cai a confiança no partido. Nas eleições, os Nazistas perdem dois milhões de votos.  Criticamente: o total da votação dos nazistas passa a ser menor que a votação do SPD e do KPD. Mas esse fato não surte efeitos no Comintern e no KPD. Esta acabaria por ser a última eleição “livre” da Alemanha de Weimar— e os Nazistas não conseguem obter maioria.

17 de novembro de 1932: Von Papen e seus ministros renunciam.

2 de dezembro de 1932: Hindenburg indica o “general social” Schleicher para primeiro-ministro. Schleicher tenta rachar a esquerda (burocratas sindicais rompem com o SPD) e a direita (“Nazistas de esquerda” dissidentes rompem com Hitler liderados por Gregor Strasser).

30 de janeiro de 1933: Hindenburg indica Hitler  para primeiro-ministro. Von Papen é o vice.  Hitler concorda em indicar apenas 3 dos 11 cargos ministeriais.  Trótski espera que os partidos de esquerda façam resistência a Hitler e se mobilizem.    Os líderes do SPD dizem que “a indicação de Hitler” é constitucional e proíbem ações dos trabalhadores que possam incomodar os Nazistas. O KPD, por outro lado, ainda condena o SPD.

5 de março de 1933: Hitler consegue que Hindenburg dissolva o parlamento. Nos preparativos para novas eleições, as reuniões do KPD são proibidas.  Órgãos de imprensa ligados ao KPD são fechados.  Os Nazistas finalmente passam a controlar a Prússia e sua força policial de alcance nacional, que passa a ser infestada de paramilitares nazistas. Inicia-se o terror.


OBRAS DE TRÓTSKI SOBRE ESSE PERÍODO:

5 de fevereiro de 1933: Antes da Decisão (Before the Decision)

23 de fevereiro de 1933: A Frente Única pela Defesa: Uma Carta para um Operário Social-Democrata (The United Front for Defense:A Letter to a Social Democratic Worker)


27 de fevereiro de 1933: Os Nazistas provocam um incêndio no Reichstag e põem a culpa nos Comunistas.

28 de fevereiro de 1933: O presidente Hindenburg suspende as garantias constitucionais das liberdades de expressão, de imprensa, de reunião e de associação. Milhares de funcionários do KPD e do SPD são presos. Somente os nazistas e os nacionalistas têm permissão para fazer campanha na última semana antes das eleições.

5 de março de 1933: Eleições para o Reichstag. Mesmo com toda essa opressão “constitucional”, os Nazistas não conseguiram obter maioria. Mas o jogo já estava definido. O KPD convoca greves nacionais.

23 de março de 1933: Citando a Constituição, Hitler pede poderes ditatoriais ao novo Reichstag.  Para tanto, é exigida maioria de dois terços no Reichstag. Como os deputados do KPD estão ou presos, ou saindo do país, o pedido de Hitler é obtido (441 a 84).  Os partidos liberais e conservadores votam a favor. Apenas o que restou dos social-democratas vota contra.

7 de abril de 1933: O Comintern stalinista cria a expectativa ilusória de uma revolução proletária logo em seguida à vitória de Hitler. Enquanto o Comintern sonha, o KPD é aniquilado.

1 de maio de 1933: Dia do Trabalho.  O que sobrou do SPD é algo muito diferente do que Friedrich Engels conhecera.  Esse partido apoia diversas “reorganizações” trabalhistas de Hitler e encoraja os trabalhadores a desfilar na marcha nazista do “Dia Nacional do Trabalho”.

2 de maio de 1933: Os Nazistas assumem o comando do movimento sindical e enviam líderes trabalhistas a campos de concentração.

OBRAS DE TRÓTSKI SOBRE ESSE PERÍODO:

14 de março de 1933: A Tragédia do Proletariado Alemão: Os Trabalhadores Alemães  Vão se Levantar Novamente – Estalinismo,Jamais! (The Tragedy of the German Proletariat: The German Workers Will Rise Again – Stalinism, Never!)

17 de março de 1933: A Alemanha e a URSS (Germany and the USSR)

21 de março de 1933: Hitler e o Exército Vermelho (Hitler and the Red Army)

28 de maio de 1933: A Catástrofe Alemã: A Responsabilidade da Liderança (The German Catastrophe: The Responsibility of the Leadership)

10 de junho de 1933: O que é o Nacional-Socialismo? (What is National Socialism?)

22 de junho de 1933: Quanto Tempo Hitler Pode Ficar? (How Long Can Hitler Stay?)

14 de julho de 1933: Fascismo e Slogans Democráticos(Fascism and Democratic Slogans)

15 de julho de 1933: É Necessário Construir Novos Partidos Comunistas e uma Nova Internacional (It Is Necessary to Build Communist Parties and an International Anew)

20 de julho de 1933: É Impossível Permanecer na Mesma Internacional com os Stálins, Manuilskys, Lozovskys & Cia. (It   Is Impossible   to Remain in the   Same International with the Stalins, Manuilskys, Lozovskys & Co.)

1934: O Programa de Hitler (Hitler’s Program)

15 de julho de 1934: Bonapartismo e Fascismo (Bonapartism and Fascism)

20 de agosto de 1940:  Bonapartismo,  Fascismo e  Guerra (Bonapartism, Fascism, and War) (Último Artigo de Trótski)


107 visualizações