Vladimir Lênin - China Revigorada

Atualizado: Jan 21



Publicado no Pravda No. 163, 18 de novembro de 1912


A Europa progressista e civilizada não mostra qualquer interesse na regeneração da China. Quatrocentos milhões de asiáticos atrasados alcançaram a liberdade e despertaram para a vida política. Um quarto da população mundial passou, por assim dizer, do torpor ao esclarecimento, ao movimento e à luta. 

Mas a Europa civilizada não se importa. Até hoje, nem mesmo a República Francesa reconheceu oficialmente a República da China! Uma pergunta sobre este assunto vai ser feita em breve na Câmara dos Deputados francesa.

Porquê esta indiferença da Europa? A explicação é que todo o poder ocidental está nas mãos da burguesia imperialista, que já está três quartos decadente e disposta a vender toda a sua "civilização" a qualquer aventureiro por medidas "rigorosas" contra os trabalhadores, ou por um lucro extra de cinco kopeks no rublo. Para esta burguesia, a China é apenas um saque, e agora que a Rússia tomou a Mongólia em seu "abraço terno", os japoneses, britânicos, alemães, etc., provavelmente vão tentar arrancar um pedaço desse saque. 

Mas a revitalização da China está se acelerando. As eleições parlamentares estão prestes a ser realizadas – a primeira no que foi um estado despótico. A Câmara Baixa terá 600 membros e o "Senado", 274. 

O sufrágio não é universal e nem direto. É concedido apenas a pessoas com mais de 21 anos de idade que tenham residido no círculo eleitoral durante pelo menos dois anos e que paguem impostos diretos no valor de cerca de dois rublos, ou possua propriedade no valor de cerca de 500 rublos. Em primeiro lugar, votam nos eleitores, que elegem os membros do parlamento. 

Este tipo de sufrágio indica em si mesmo que existe uma aliança entre o campesinato abastado e a burguesia, não havendo proletariado nenhum ou um que seja completamente impotente.

A mesma circunstância é evidente a partir da natureza dos partidos políticos da China. Existem três partidos principais: 

1) O Partido Radical-Socialista, que na verdade não tem nada a ver com o socialismo, assim como nossos próprios Socialistas Populares (e nove décimos dos Socialistas Revolucionários). É um partido de democratas pequeno-burgueses, e suas principais reivindicações são a unidade política da China, o desenvolvimento do comércio e da indústria "ao longo das linhas sociais" (uma frase tão nebulosa como o "princípio do trabalho" e "equalização" dos nossos Narodniks e Socialistas-Revolucionários), e a preservação da paz.

2) O segundo partido é o dos liberais. Eles estão em aliança com os Radicais-Socialistas e, juntamente com eles, constituem o Partido Nacional (Kuomintang, n. do t.). Este partido irá, com toda a probabilidade, ganhar uma maioria no primeiro parlamento da China. O seu líder é o conhecido Dr. Sun Yat-sen. Ele está agora a elaborar um plano para uma vasta rede ferroviária (os Narodniks russos vão notar que Sun Yat-sen faz isto para que a China possa "evitar" um destino capitalista!).

3) O terceiro partido se autodenomina Liga Republicana, um exemplo de como os nomes das legendas políticas podem ser enganosos. Na verdade, é um partido conservador, apoiado principalmente por funcionários do governo, proprietários e a burguesia do norte da China, que é a parte mais atrasada do país. O Partido Nacional, por outro lado, é predominantemente um partido da parte mais industrialmente desenvolvida e progressista do sul do país.

As massas camponesas são o pilar do Partido Nacional. Seus líderes são intelectuais que foram educados no exterior. 

A liberdade da China foi conquistada por uma aliança de camponeses democratas e da burguesia liberal. Se os camponeses, que não são liderados por um partido proletário, serão capazes de manter suas posições democráticas contra os liberais, que estão apenas esperando por uma oportunidade para mudar para a direita, será visto em um futuro próximo. 

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